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Palma forrageira na alimentação de caprinos e ovinos

O que é a pesquisa?

As variedades de palma forrageira cultivadas no semiárido brasileiro são de origem mexicana. Adaptadas às condições ambientais da região, essas forrageiras são de grande importância para o fornecimento de nutrientes e suprimento de parte das necessidades de água dos animais no período seco do ano. Essas cactáceas são imprescindíveis para garantira segurança alimentar dos rebanhos caprinos e ovinos. O Brasil possui um rebanho de aproximadamente 27 milhões de ovinos e caprinos. Desse contingente de bodes, cabras e ovelhas, cerca de 18 milhões são criados na região Nordeste e cerca de 15 milhões encontram-se no semiárido.

No semiárido, predominava a cultura da palma forrageira gigante. Porém, desde 2001, essa variedade tem sido severamente atacada pela cochonilha-do-carmim. Em algumas regiões da Paraíba e de Pernambuco a palma forrageira Gigante foi dizimada, causando prejuízos econômicos, sociais, históricos e até mesmo culturais para os pecuaristas desses Estados.

Neste cenário, o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), executou o projeto “Revitalização da cultura da palma forrageira no semiárido do estado da Paraíba”, por meio da implantação de 26 campos experimentais em 13 microrregiões, para levantamento de informações e distribuição de cladódios e sementes de palma forrageira de três variedades resistentes ao ataque da cochonilha-do-carmim: a Palma Baiana, Palma Doce Miúda e a Palma Orelha de Elefante Mexicana.
 
Apesar do êxito do projeto, grande parte dos agricultores demonstrou insegurança quanto ao uso das novas variedades na alimentação dos animais, uma vez que, tradicionalmente, estes eram alimentados apenas com a palma forrageira Gigante, afetada pela cochonilha. “Tem um ácido”; “Tem espinhos e o gado não vai comer”; “Tem um cheiro forte que o gado rejeita”; “Será que os bicho comem?” foram algumas das preocupações manifestadas pelos agricultores e pecuaristas.

A partir dessas incertezas, o pesquisador Geovergue Rodrigues de Medeiros realizou pesquisas a fim de gerar informações técnico-científicas que comprovassem que o uso das variedades Orelha de Elefante, Doce Baiana e Doce Miúda não afetava o consumo nem o ganho de peso dos animais.

Como é feita a pesquisa?

A pesquisa foi desenvolvida na Estação Experimental do Insa, em Campina Grande, PB, com o objetivo de avaliar a utilização das variedades Orelha de Elefante Mexicana Doce Baiana e a Doce Miúda na alimentação de ovinos e caprinos. Para cada variedade de palma forrageira foi realizado um experimento com 40 ovinos, sem raça definida, com peso inicial médio de 18 kg, mantidos em regime de confinamento. No experimento com a palma Orelha de Elefante, também foram utilizados 24 caprinos. Cada experimento teve a duração de 84 dias, sendo 14 dias de adaptação às dietas e às instalações e 70 dias de avaliação.

Os animais foram alimentados com uma dieta contendo 50% de volumosos (feno de capim e palma forrageira) e 50% de ração contendo milho, farelo de soja, ureia e sal mineral. Dietas experimentais consistiram de quantidades variáveis da palma forrageira (0, 30, 60 e 90%), em substituição ao feno de capim.

Foram oferecidas duas refeições por dia e água à vontade aos animais. Diariamente, o consumo foi medido por meio da pesagem dos alimentos e água ofertados e, no dia seguinte, da pesagem das sobras alimentares nos comedouros e da água nos bebedouros. Os animais foram pesados semanalmente. Amostras de alimentos, de sobras de alimentos, urina e fezes foram coletadas para análises bromatológicas, bem como amostras de sangue dos animais para as determinações bioquímicas de glicose, triglicerídeos, colesterol, ureia, creatinina, albumina, proteínas totais e minerais.

Qual a importância da pesquisa?

Os resultados obtidos com as palmas forrageiras Orelha de Elefante Mexicana, Doce Baiana e Doce Miúda demonstraram que o consumo médio diário de matéria seca foi de 1 kg. O consumo variou de acordo com o percentual das cactáceas nas dietas, obtendo-se os melhores consumos entre os níveis de 30 e 60%. Convertendo-se os valores de matéria seca em consumo in natura, significa que os animais consumiram por dia, em torno de 3 kg, de acordo com a variedade estudada. Os animais alimentados com as dietas com 90% de palma forrageira reduziram, em média, 17% o consumo de matéria seca em relação aos níveis 30 e 60%. Isso ocorreu devido ao elevado teor de água contido nas cactáceas. Entre as espécies animais, os ovinos consumiram 58% a mais de matéria seca em relação aos caprinos. 

Uso da palma forrageira na alimentação de caprinos e ovinos diminui em até 60% o consumo de água pelos animais, que reduziu de 1,8 l para 700 ml naqueles alimentados com palma Orelha de Elefante Mexicana, de 3 l para 1,8 l (redução de 38%) nos alimentados com palma Doce Baiana e de 2,5 l para 900 ml (redução de 62%) nos alimentados com palma Doce Miúda, independente do percentual da palma forrageira na dieta. Em todas as situações, houve redução do volume de água consumido pelos animais.

Os ganhos médios de peso diário variaram de 190 a 260 g, de acordo com o percentual de palma forrageira Orelha de Elefante, Doce Baiana e Doce Miúda incluído na dieta (0, 30, 60 e 90%). Quanto maior o percentual de palma forrageira, maior o ganho de peso. Os ovinos alimentados com a variedade Orelha de Elefante ganharam 53% mais de peso do que os caprinos.

A digestibilidade da matéria seca e dos nutrientes (proteína bruta, extrato etéreo e carboidratos) das dietas contendo as três variedades de palma forrageira foi considerada e muito satisfatórias. As variedades de palma forrageira Orelha de Elefante Mexicana, Doce Baiana e Doce Miúda, podem compor de 60 a 90% da matéria seca da porção volumosa da dieta de ovinos. Elas reduzem o consumo voluntário de água pelos animais e promovem ganhos de peso semelhantes aos promovidos pela palma forrageira Gigante. As análises bioquímicas realizadas demonstraram que as variedades de palma forrageira estudadas não causam alterações indesejáveis no organismo dos animais.
 

Publicado em 11 de maio de 2017.