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E se substituíssemos os táxis por veículos elétricos?

O que é a pesquisa?

A poluição do ar é um fenômeno comum nos centros urbanos e é causa de diversos males para a saúde de seus moradores. Os veículos movidos a combustíveis fósseis são os principais poluentes nas cidades, devido especialmente aos gases do efeito estufa que seus motores emitem, destacando-se entre eles o gás carbônico (CO2). O acúmulo desses gases na atmosfera, além de causar problemas locais, são uma das causas do Aquecimento Global, um dos maiores perigos para o futuro do planeta.

Por isso, muito se tem investido em tecnologias mais limpas, que incluem veículos elétricos e elétricos híbridos (que funcionam tanto a eletricidade quanto com combustível). Esses meios de transporte possuem vantagens em relação aos modelos movidos a combustíveis fósseis ou biocombustíveis, dentre elas a menor produção de ruído, maior desempenho, menores custos de reparação e ausência de emissão de poluentes.

A implantação desses veículos, contudo, encontra desafios. O preço de um automóvel elétrico, por exemplo, é muito superior ao de um a combustível. Além disso, as baterias têm duração limitada e precisam de várias horas para recarregar, o que daria a um carro pouca autonomia. Seria também necessária uma infraestrutura adequada para distribuir energia para esses veículos, da mesma forma que existem os postos para abastecimento de gasolina, álcool e diesel.

Por outro lado, o uso de automóveis elétricos pode ser vantajoso em cidades pequenas, pois seria possível dirigir durante todo o dia com apenas uma carga na bateria. Fora isso, para que haja uma real diminuição na produção de CO2, a energia elétrica produzida no país teria que vir de fontes que emitam pouca quantidade desse gás. Esse é o caso do Brasil, que utiliza principalmente hidrelétricas para produzir eletricidade. As emissões de CO2 desse tipo de usina são menores do que as de termelétricas, que geralmente são empregadas em outros países.

Os pesquisadores Ana Carolina Teixeira e José Ricardo Sodré, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), realizaram um estudo para determinar qual seria a redução na produção de CO2 caso os táxis de uma cidade fossem substituídos por carros elétricos e se essa mudança seria economicamente viável. 

Como é feita a pesquisa?

A pesquisa comparou as emissões de CO2 de dois tipos de veículos em percursos de 200 e 400 km por dia. Um dos automóveis, que funcionava com motor convencional, representava os carros geralmente utilizados como táxis. O outro era um modelo semelhante, porém movido a energia elétrica. Para calcular as emissões realizadas pelo veículo elétrico foi considerada a quantidade de CO2 produzida na geração da energia que carregava sua bateria. As comparações foram feitas usando um programa de computador que simulava o trajeto dos carros e sua produção de CO2. Obtiveram-se informações de quatro casos distintos, sendo 25%, 50%, 75% ou 100% dos táxis substituídos por carros elétricos.

Como o funcionamento de hidrelétricas depende de chuvas que reabastecem seus reservatórios, o estudo também simulou o que aconteceria em situações de seca, em que essas usinas produzissem menos energia e o país tivesse que utilizar outras fontes, mais poluidoras, como as termelétricas. Assim, apesar de os automóveis elétricos não gerarem em si gases do efeito estufa, estariam usando energia proveniente da queima de combustíveis, contribuindo indiretamente para a emissão de CO2.

A pesquisa também comparou qual seria o custo para os motoristas de táxis operarem os dois tipos de veículos e como isso impactaria no lucro da atividade profissional. Para isso foram considerados valores como custo para comprar o carro, gasto com manutenção e com combustível ou energia elétrica. 


Figura 1- Nissan Leaf, veículo elétrico usado por taxistas em programas realizados no Rio de Janeiro (A) e em São Paulo (B). Crédito: Imagem de domínio público da Internet.

Qual a importância da pesquisa?

Os resultados obtidos pelas simulações mostraram que a redução na emissão de COaconteceria em todas as situações. Contudo, quanto maior a substituição dos táxis por carros elétricos, menor a produção de CO2. Se os carros percorressem maiores distâncias (400 km) a cada dia, a diminuição da poluição seria ainda mais significativa. Mesmo em um cenário pouco otimista, em que houvesse seca e parte da energia usada fosse proveniente de termelétricas, a substituição de apenas 25% dos veículos convencionais por elétricos geraria uma economia de 700 a 960 toneladas de CO2 por ano.

No aspecto econômico, embora o preço de um automóvel elétrico seja mais alto, os gastos que o motorista teria com eletricidade seriam menores do que os necessários para se abastecer com combustível. Isso acontece porque o motor elétrico é mais eficiente do que o convencional, desperdiçando menos energia. Além disso, o motor a combustível precisa de mais cuidados de manutenção do que o outro, aumentando os custos que o dono do carro teria ao longo do tempo. Assim, as análises econômicas revelaram que seria mais lucrativo para motoristas de táxis o uso de veículos elétricos, sendo considerado um período de apenas cinco anos. Ou seja, se o tempo fosse maior, o lucro dos taxistas seria maior ainda.

A pesquisa demonstrou as consequências positivas que o uso de carros elétricos traria para o meio ambiente. Além disso, o estudo revelou que essa substituição seria vantajosa para os taxistas.

          

Relação entre as emissões de CO2 de um veículo convencional (VCI) e de um veículo elétrico (VE) sob 4 quatro diferentes cenários. Quanto maior a barra, maior é a emissão do veículo convencional em relação ao elétrico. Os cenários 1 e 2 são mais otimistas, e se considerou que o regime de chuvas durante o ano foi alto e por isso boa parte da energia utilizada nos VEs foi proveniente de hidrelétricas, que contribuem pouco para emissão de CO2. Nos cenários 3 e 4 as secas foram mais intensas, e uma parte maior da energia foi proveniente de termelétricas, contribuindo para maior emissão indireta de gás carbônico por parte dos carros elétricos. Crédito: Adaptado de Melo et al., 2016.
 

Publicado em 20 de fevereiro de 2017.