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Interação do vírus Zika com células do mosquito transmissor

O que é a pesquisa?

O vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes – o mesmo da dengue –, era restrito aos continentes África e Ásia até 2007, sendo raramente observado em humanos. Embora a doença possa ter efeitos leves, como observado em 20% da população, o recente surto de zika no sul do Pacífico e na América Latina alertou para os grandes perigos que a infecção pode causar no sistema nervoso, sendo destacada a microcefalia em recém-nascidos.

Estudos recentes feitos com os pernilongos Aedes revelaram que as células dos insetos que apresentavam o vírus da dengue mostravam alterações na sua quantidade de lipídeos. Isso era devido tanto ao processo de multiplicação intracelular do vírus como às tentativas que a célula fazia para combater o seu invasor. As pesquisas sobre a relação entre o vírus da dengue e os mosquitos têm avançado muito. Contudo, embora o vírus Zika tenha algumas semelhanças com o da dengue, suas relações com os insetos transmissores ainda são pouco conhecidas.

O pesquisador Carlos Fernando Melo, junto com uma equipe de cientistas de diversos laboratórios da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), conduziu uma pesquisa para descobrir quais são as alterações no lipidoma (conjunto de lipídeos) apresentado em células de mosquito infectadas pelo vírus Zika.

 Imagem do mosquito Aedes albopictus. Crédito: Imagem de domínio público.

 

Como é feita a pesquisa?

Células do mosquito Aedes albopictus foram cultivadas em laboratório e divididas em dois grupos, um para ser infectado pelo vírus de maneira controlada (grupo teste) e outro para controle, que permaneceu livre do vírus Zika. Depois do contato com o causador da doença, as células foram mantidas por alguns dias para verificar se houve infecção e se elas apresentavam mudanças no lipidoma.

Passado esse tempo, foi empregado um teste chamado espectrometria de massa, na qual as amostras foram atingidas por um laser, fazendo com que as substâncias nela presentes dessem origem a íons, os quais foram separados de acordo com suas massas e cargas elétricas.

Qual a importância da pesquisa?

Quando comparados os dados obtidos nos grupos teste e controle, verificou-se que as células infectadas e as livres de vírus apresentaram produções diferentes de alguns tipos de lipídeos (ver figura abaixo).

Os resultados revelaram que os lipídeos classificados como característicos de células infectadas com o vírus Zika têm participação na replicação viral e no reconhecimento de célula infectada pelo sistema de defesa do corpo do inseto. As descobertas do estudo podem se tornar importantes ferramentas na busca de formas de interromper o ciclo de reprodução do vírus nos seus transmissores. Além disso, no futuro podem ser desenvolvidas novas terapias para pessoas, já que humanos e mosquitos possuem em comum alguns fatores envolvidos na infecção pelo vírus.

Imagens das amostras geradas por espectrometria de massa. Cada par é uma comparação da quantidade de um determinado lipídeo existente no grupo controle e no infectado pelo virus Zika. Regiões mais vermelhas apresentam maior quantidade, enquanto as mais azuis, menor quantidade.  Crédito: Adaptado de Melo et al., 2016.

 

 

Publicado em 6 de fevereiro de 2017.