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Castanha do brasil pode ajudar a combater a doença de Alzheimer

O que é a pesquisa?

O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa, sem cura, mais comum em pessoas maiores de 65 anos. Caracterizada pela perda progressiva de neurônios, é a principal causa de demência em idosos, atingindo cerca de 35,6 milhões de pessoas no mundo. Com o envelhecimento da população, a perspectiva é de que esse número aumente.

Doenças que comprometem funções cognitivas – atenção, percepção, memória, raciocínio, pensamento e linguagem –, estão relacionadas ao estresse oxidativo, condição observada no organismo durante processos inflamatórios e envelhecimento, e caracterizada pelo aumento de radicais livres, que prejudicam o funcionamento das células. O estresse oxidativo pode levar ao desenvolvimento de tumores e de doenças degenerativas do sistema nervoso, como Parkinson e Alzheimer.

Substâncias antioxidantes são capazes de retardar ou mesmo impedir essas reações de oxidação, tendo papel na eliminação dos radicais livres e na proteção das células. Moléculas antioxidantes podem ser produzidas no próprio organismo ou obtidas por meio da alimentação. O selênio é um micronutriente com ação antioxidante, sendo importante para o bom desempenho das funções do cérebro, que apresenta alto consumo de oxigênio e possui muitos ácidos graxos insaturados, características que o tornam um órgão particularmente vulnerável ao estresse oxidativo.

Algumas pesquisas mostram que pessoas com Alzheimer apresentam deficiência de selênio. Como a castanha do Brasil, também conhecida como castanha-do-pará, é um alimento rico em selênio, a pesquisadora Bárbara Rita Cardoso, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), decidiu investigar os efeitos do consumo de castanha em pacientes com comprometimento cognitivo leve, quadro clínico que precede a doença de Alzheimer.

Como é feita a pesquisa?

A pesquisa contou com a colaboração de pacientes, acima de 60 anos, do Departamento de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, que apresentavam comprometimento cognitivo leve e deficiência de selênio. Esses pacientes foram, aleatoriamente, divididos em dois grupos. Os paciente do grupo experimental receberam uma castanha do brasil por dia, durante seis meses. Os paciente do grupo controle não consumiram castanha durante o mesmo período.

Passados os seis meses, todos os paciente foram submetidos a testes que avaliaram suas funções cognitivas, mediram as quantidades de selênio e de radicais livres no organismo deles, bem como de proteínas associadas a ação antioxidante. Os pacientes do grupo experimental tiveram o melhor desempenho nos testes cognitivos quando comparados aos pacientes que não consumiram castanha. Eles também apresentaram aumento significativo na quantidade de selênio e na atividade de proteínas ligadas ao efeito antioxidante. Houve melhora significativa na fluência verbal, em habilidades motoras e de construção do pensamento dos pacientes que consumiram uma castanha do brasil por dia, durante seis meses. Os pacientes do grupo controle, por sua vez, não apresentaram alterações.
 

Qual a importância da pesquisa?

O consumo de castanha do brasil teve efeitos positivos sobre a manutenção da função cognitiva dos pacientes. Ficou provado que o simples consumo de uma castanha por dia promove a recuperação do estado nutricional de selênio no organismo, com benefícios ao funcionamento do cérebro.

Diante da gravidade e da abrangência do Alzheimer no Brasil e no mundo, os resultados da pesquisa trazem importante contribuição à saúde pública e esperança aos pacientes, pois mostram que reverter a deficiência de selênio com um alimento é uma estratégia simples que pode, também, reduzir o risco de doenças neurodegenerativas.

Essa pesquisa foi vencedora da 28ª edição do Prêmio Jovem Cientista (Categoria Mestre e Doutor), que abordou o tema "Segurança Alimentar e Nutricional".
 

Publicado em 15 de setembro de 2016.

 

 
 
 

Dica de leitura: Para sempre alice (romance)


 Alice sempre foi uma mulher de certezas. Professora e pesquisadora bem-sucedida, não havia referência bibliográfica que não guardasse de cor. Alice sempre acreditou que poderia estar no controle, mas nada é para sempre. Perto dos cinquenta anos, Alice Howland começa a esquecer. No início, coisas sem importância, até que ela se perde na volta para casa. Estresse, provavelmente, talvez a menopausa; nada que um médico não dê jeito. Mas não é o que acontece, ironicamente, a professora com a memória mais afiada de Harvard é diagnosticada com um caso precoce de doença de Alzheimer, uma doença degenerativa incurável. Poucas certezas aguardam Alice. Ela terá que se reinventar a cada dia, abrir mão do controle, aprender a se deixar cuidar e conviver com uma única certeza - a de que não será mais a mesma. Enquanto tenta aprender a lidar com as dificuldades, Alice começa a enxergar a si própria, o marido, os filhos e o mundo de forma diferente. Um sorriso, a voz, o toque, a calma que a presença de alguém transmite podem devolver uma lembrança mesmo que por instantes, e ainda que não saiba quem é.


Editora: Harper Collins Brasil
Ano: 2015