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Medicamentos feitos a partir da castanha de caju auxiliam no tratamento de Alzheimer

O que é a pesquisa?

O Mal de Alzheimer é uma doença degenerativa do sistema nervoso central que atinge cerca de 30 milhões de pessoas no mundo, principalmente idosos com mais de 65 anos. Os principais sintomas da doença são a perda de memória, confusão mental, dificuldades na fala e no aprendizado, e desorientação. Com o aumento da longevidade, cada vez mais pessoas são afetadas pelo Alzheimer, criando um grande impacto social, econômico e político da doença. Pesquisas preveem que no ano de 2050 serão 107 milhões de pessoas afetadas pela doença em todo o mundo. Uma das causas associada ao Alzheimer é a redução na quantidade de um neurotransmissor chamado acetilcolina, envolvido em processos de memória e aprendizagem.

Pesquisadores da Universidade de Brasília investigaram moléculas encontradas no sumo da castanha de caju que podem contribuir para evitar a redução da acetilcolina. O sumo da castanha de caju foi escolhido por apresentar três moléculas (ácido anacárdio, cardanol e cardol) muito parecidas com as de medicamentos disponíveis para tratamentos do Mal de Alzheimer. Computadores foram usados para descobrir a estrutura dessas moléculas e suas propriedades. Esclarecer a estrutura das moléculas é importante porque permitirá aos pesquisadores identificar quais são as mais apropriadas para o tratamento de Alzheimer.

Como é feita a pesquisa?

Com a ajuda de computadores, os pesquisadores descobriram no sumo da castanha de caju moléculas capazes de interagir com os neurônios receptores de acetilcolina. A pesquisa foi realizada em duas etapas: na primeira, os pesquisadores analisaram a distribuição dos elétrons na estrutura de 20 moléculas que são candidatas ao tratamento de Alzheimer. A essa análise dar-se o nome de Cálculo do Potencial Eletrostático. Na segunda etapa, os pesquisadores compararam as principais características dessas moléculas com a molécula de Donepezil, medicamento conhecido por impedir a redução da acetilcolina e que é usado atualmente para o tratamento do Mal de Alzheimer.

O cálculo do potencial eletrostático é importante para compreender como as moléculas podem interagir com as células. Os cálculos foram realizados por programas de computador para fornecer a estrutura molecular e a distribuição de elétrons nas moléculas estudadas. Além do potencial eletrostático, outras características das moléculas, como massa e volume, foram utilizadas para comparar as moléculas do sumo de caju com as do Donepezil.

As moléculas analisadas foram identificadas por números de 1 a 20 e a molécula de Donepezil foi denominada de 21. Todas as características obtidas de uma molécula foram combinadas em uma única grandeza denominada “componente principal”. Os componentes principais de todas as moléculas são colocados em um gráfico para comparações, de maneira que as moléculas mais próximas no gráfico são aquelas que apresentam mais características semelhantes entre si, e as mais distantes são as menos semelhantes entre si.

A Figura 1 (abaixo) mostra os componentes principais das moléculas do sumo da castanha de caju e a molécula 21. Podemos observar que as moléculas 5 e 7 são as mais semelhantes em relação à molécula de Donepezil (21). As moléculas 19 e 20, por outro lado, são as menos semelhantes. Sendo assim, as moléculas 5 e 7 são as mais promissoras para o desenvolvimento de um medicamento para o tratamento de Alzheimer, enquanto as moléculas 19 e 20 são as menos adequadas.

Figura 1. Gráfico mostra as semelhanças das moléculas encontradas no sumo da castanha de caju e a molécula de Donepezil (molécula 21), medicamento já usado no tratamento de Mal de Alzheimer. O estudo mostrou que as moléculas 5 e 7 do sumo são as que apresentam maior semelhança com a molécula do medicamento. Nota-se que as moléculas 7 e 21 aparecem quase sobrepostas, tamanha as semelhanças entre elas.

A figura 2 ilustra o potencial eletrostático da molécula 7 do sumo de caju. A nuvem esverdeada representa a distribuição de elétrons na molécula. A pesquisa mostra que essa é a molécula mais favorável para desenvolver um novo medicamento para o Alzheimer. 

Figura 2. Potencial eletrostático da molécula 7, presente no sumo da castanha de caju, é promissora para produção de medicamento contra o Mal de Alzheimer. 

 

Qual a importância da pesquisa?

O estudo da estrutura das moléculas que poderão ser utilizadas como medicamento é de extrema importância, pois restringe aos testes biológicos apenas aquelas moléculas promissoras, reduzindo custos e a quantidade de animais usados nesses testes.

Os pesquisadores encontraram moléculas que poderão servir de alternativa ao Donepezil, medicamento que é hoje um dos mais usados no tratamento do Mal de Alzheimer. É muito importante buscar novas alternativas de tratamento para o mal de Alzheimer, pois o número de portadores dessa doença vem aumentando muito à medida que a população mundial envelhece. Uma das metas da pesquisa é, portanto, avaliar possíveis novas substâncias capazes de tratar a doença, com menores custos e efeitos colaterais, e que possa ser produzida no Brasil.

Texto de divulgação científica publicado em 10 de junho de 2014.