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Genética melhora hortaliças de pequenos produtores amazônicos

O que é a pesquisa

 Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em parceria com a Universidade do Amazonas e a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA), estão desenvolvendo estudos que permitam adaptar geneticamente hortaliças como o tomate, o pimentão e o alface, além de espécies não convencionais nativas da região, como cubiu, ariá e feijão macuco, ao cultivo em trópico úmido.

O sucesso dessas experiências permitirão o cultivo de hortaliças em ambientes desfavoráveis viabilizando sua integração à agricultura familiar praticada na Amazônia.

Como a pesquisa é feita

 Os pesquisadores trabalham essencialmente com o melhoramento genético e multiplicação de sementes (propagação sexuada) e de mudas de clones (propagação assexuada). Esses materiais, geneticamente adaptados ao ambiente úmido tropical, são depois distribuídos aos agricultores da região.

As cultivares são as variações genéticas dentro das espécies cultivadas pelo homem. Por exemplo, na espécie “alface” (Lactuca sativa) existem muitas cultivares, cada um com seu nome: Black Simpson, Great Lakes, Verdinha, Vitória de Santo Antão, Uberlândia. Esta última cultivar, desenvolvida pelo pesquisador Warwick Kerr, pode produzir mais de 10 mil unidades de Vitamina A.

Assim, no Programa de Melhoramento Genético de Hortaliças do INPA foi desenvolvida uma cultivar de tomate geneticamente melhorada, batizada Yoshimatsu, que resiste à bactéria “Ralstonia solanacearum”. Essa bactéria, muito comum na Amazônia, provoca a chamada “murcha bacteriana”, doença do tomateiro estudada sem sucesso em todo o mundo. As avaliações, feitas em todo o Amazonas, em outros estados da região e em regiões de baixa altitude do Nordeste brasileiro mostraram que a cultivar Yoshimatsu é bem sucedida na resistência à bactéria. E pesquisas semelhantes estão em andamento com alface, pepino, pimentão e outras hortaliças.

Quanto às espécies nativas não convencionais, os pesquisadores estão conservando hortaliças que sofrem risco de erosão genética ou mesmo de extinção. É o caso da ariá, espécie muito cultivada no passado e hoje quase abandonada. Assim a pesquisa preserva a biodiversidade, resgatando materiais genéticos de toda a Amazônia.

A área geográfica de coleta de material para melhoramento e conservação em bancos genéticos é a Amazônia brasileira, bem como regiões amazônicas de países vizinhos. Os estudos são realizados na Estação Experimental de Fruticultura Tropical (km. 45 da rodovia BR 174), na Estação Experimental de Hortaliças “Dr. Alejo von de Pahlen” (Km. 14 da rodovia AM 10) e na Estação Experimental de Ariaú, no ecossistema de várzea localizado na área rural de Jandira, no município de Iranduba, todas pertencentes à Coordenadoria de Pesquisa em Ciências Agronômicas do INPA.

Por que fazer a pesquisa

 É de grande importância econômica e social adaptar às condições amazônicas as hortaliças tradicionais, além de estender o benefício da melhoria genética a espécies nativas não convencionais.

A meta da pesquisa portanto é difundir o uso de tecnologias e de sementes e mudas geneticamente melhoradas, ecologicamente adequadas ao trópico úmido brasileiro, tolerantes a altas temperaturas e taxas de umidade, adaptadas a solos pobres e resistentes a microorganismos causadores de doenças em plantas.

Texto de divulgação científica publicado em 09 de dezembro de 2002.