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Uso de resíduos madeireiros na economia e ecologia amazônicas

O que é a pesquisa

Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia estudam e classificam os tipos de resíduos das industrias madeireiras e propõem alternativas criativas de aproveitamento destes materiais, visando gerar novas opções econômicas e, simultaneamente, diminuir a pressão de corte sobre as árvores amazônicas, principalmente as ameaçadas de extinção, como o mogno, a cerejeira e a virola.

Como a pesquisa é feita

A primeira fase do trabalho é a classificação dos resíduos gerados pelo processamento industrial da madeira. O levantamento abrange cinco cidades amazônicas, principalmente Itacoatiara e Manaus, que são os dois maiores pólos madeireiros do Amazonas.

Do ponto de vista qualitativo é importante saber quais resíduos contém substâncias tóxicas, principalmente para os casos de aproveitamento na manufatura de objetos de cozinha, na produção de brinquedos infantis ou como adubo para a produção de alimentos.

Do ponto de vista quantitativo é necessário mensurar e conhecer os volumes disponíveis de cada tipo de resíduo, para verificar o potencial econômico de seu uso.

Estes critérios definiram cerca de 15 aplicações para os resíduos, para as quais são desenvolvidos subprojetos específicos que viabilizam o seu aproveitamento econômico. As alternativas estão bem além do uso tradicional em chapas de aglomerado ou na manufatura de pequenos objetos, apontando para soluções criativas como uso dos resíduos na defumação de peixes, no preparo da terra vegetal ou ainda como base de alimentação para cogumelos comestíveis.

Importância da Pesquisa

Estima-se que existam na Amazônia de duas a quatro mil espécies de árvores, três mil das quais já classificadas. Entretanto a indústria madeireira (serrarias, fábricas de compensados, marcenarias, etc.) aproveita apenas algumas dezenas dessas espécies, colocando-as sob risco de extinção devido à exploração concentrada.

É importante, portanto, identificar novas madeiras para indicar alternativas de uso e defender a sustentabilidade florestal. Outro problema é o desperdício da indústria madeireira, pulverizada em pequenas empresas de difícil fiscalização. A perda média, em serrarias, chega a 50%, ou seja, metade da madeira vira resíduo.

Assim, um estudo capaz de minimizar o desperdício e transformar o resíduo em material rentável beneficia, em primeiro lugar, a própria indústria madeireira. As empresas têm acesso ao banco de dados elaborado sobre os resíduos de madeiras amazônicas. Com estes dados o setor industrial tem mais opções para desenvolver novos produtos e processos, a partir de uma matéria prima cujo custo é praticamente zero.

A população também é beneficiada, através de maior oferta de empregos no setor madeireiro. E finalmente a Natureza, e mais especificamente a floresta tropical, é favorecida na medida em que o uso dos resíduos e o aproveitamento de material normalmente descartado diminuem a poluição e, principalmente, a pressão de corte sobre as espécies arbóreas economicamente mais valiosas.

Texto de divulgação científica publicado em 29 de novembro de 2002.