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Cesare Mansueto Giulio Lattes

César Lattes

 

Cesare Mansueto Giulio Lattes, conhecido como César Lattes, foi um dos cientistas brasileiros mais brilhantes de sua geração. Com apenas 23 anos, ao lado do cientista inglês Cecil Frank Powell e o italiano Giuseppe Occhialini, descobriu uma partícula no interior do núcleo atômico que garante a coesão do átomo: o méson pi.

 

Filho de imigrantes italianos, Lattes nasceu em 1924, na cidade de Curitiba. Cursou o primário na Escola Americana de sua cidade natal entre 1929 e 1933, e o secundário no Instituto Médio Dante Alighieri, em São Paulo, de 1934 a 1938. Deu continuidade aos seus estudos na  Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em física e matemática,  com apenas 19 anos de idade.

 

Após o seu bacharelado, Lattes dedicou-se ao estudo da física atômica, trabalhando com o professor russo Gleb Wataghin, que foi contratado para dirigir o  Departamento de Física da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Na época, cientistas do mundo todo questionavam como os prótons mantinham-se unidos no núcleo do átomo. Em 1946, inquieto com a questão, o jovem Lattes foi para a Universidade de Bristol, na Inglaterra, unindo-se a Powell (Prêmio Nobel de Física em 1950) e a Occhialini.

 

Convencido da vantagem de aproveitar os raios cósmicos em vez dos aceleradores de partículas, em 1947 partiu para Chacaltaya, um dos picos mais altos dos Andes bolivianos, onde os raios vindos do espaço são mais intensos. Lá, ele expôs chapas fotográficas aos raios cósmicos, as quais, quando reveladas, mostraram os traços da nova partícula subatômica (méson pi). A descoberta lhe valeu muitas premiações, incluindo o Prêmio Einstein (1950), o Fonseca Costa, concedido pelo CNPq (1958), o Bernardo Houssay, da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1978, e o prêmio da Academia de Ciência do Terceiro Mundo (TWAS), em 1988.

 

Sua descoberta marcou o início da chamada física de partículas elementares ou física de altas energias. Em 1949, voltou para o Brasil, assumindo o cargo de professor e pesquisador na Universidade do Rio de Janeiro. Apesar dos convites para trabalhar em universidades estrangeiras, fez carreira universitária no Brasil. A partir daí, o cientista deu início à construção de aceleradores de partículas cada vez mais potentes, que caracterizaram a física nuclear do pós-guerra. Ele abriu o terreno à ciência no Brasil, fundando, com outros cientistas, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

 

Além do CBPF, Lattes foi mentor de importantes iniciativas como a formação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, a  Escola Latino-Americana de Física e o Centro Latino-Americano de Física.  O cientista também se destacou pelas atividades de ensino,  como a modernização do currículo dos cursos de física e capacitação do pessoal que constitui, hoje, parcela ponderável da liderança científica atuante na física brasileira.

 

Lattes teve importante papel na catalisação dos esforços que levaram à criação do Conselho Nacional de Pesquisas - atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - em 1951. O Conselho deu novo impulso à pesquisa científica e tecnológica no Brasil, tendo contado com Lattes na composição de seu primeiro Conselho Diretor.

 

César Lattes foi membro da Academia Brasileira de Ciências, da União Internacional de Física Pura e Aplicada, do Conselho Latino-Americano de Raios Cósmicos, das Sociedades Brasileira, Americana, Alemã, Italiana e Japonesa de Física, entre outras associações, e ocupou numerosas vezes posições de conselheiro, contribuindo com sua experiência e visão pioneira para a formulação de políticas e diretrizes na área da ciência.

 

Apesar do seu falecimento em março de 2005, Lattes até hoje é alvo de inúmeras homenagens por parte de organizações públicas e privadas, no Brasil e no exterior.

 

Frases

 

“A ciência não pode prever o que vai acontecer. Só pode prever a probabilidade de algo acontecer. ”

 

“Tudo o que eu fiz não vale uma sinfonia de Mozart.”